e caminho eu assim, na base da insistência tentando manter um blog semi-abandonado. sabe, parecia antes mais simples comentar a vida, as coisas, o que se passava ao meu redor e, principalmente o que se passava dentro de mim. agora não é tão fácil.
não sei se eu endureci um pouco, com fatos acontecidos há exatamente um ano. não sei se deixei de achar legal compartilhar problemas e alegrias com outras pessoas - mesmo outras pessoas que eu sempre considerei quase irmãs - não sei se não confio mais no mundo.
e aí, o coitado do blog paga o sapo. paga o preço, porque se eu não confio nem nas pessoas de carne e osso que eu conheço que caminham por aí perto de mim, imagine o medo que tenho de desfiar aqui minhas emoções...
eu sei que sempre fui muito
otária ingênua e achei que as pessoas só magoam outras sem querer, só
fodem atrapalham um relacionamento entre duas pessoas por razões fortes... e foi nesse acontecimento aí do ano passado que eu descobri que não.
e foi por causa de mais ou menos umas 8 horas de briga contínua e ofensas infinitas de ambos os lados que eu tomei duas atitudes impensadas: excluir o meu perfil do orkut e apagar o meu blog "Cadê as chaves?".
do orkut eu nunca me arrependi - até porque já tinha acabado aquela besteira de ter que ter convite para entrar - mas de ter apagado o blog eu me arrependo, e muito. por diversas razões vejo que nunca deveria ter feito aquilo, a primeira é que eu tinha o blog há mais de 2 anos, eu tinha amigos que perdi quando apaguei o blog, tinhas posts lindos que escrevi e que foram embora junto com ele, tinha momentos especiais, fotos, tinha tudo.
aquele blog era a minha cara, a minha alma. e eu "me" matei.
parece besteira, mas não é. sinto-me estranha aqui, parece que não sou eu, sinto como se tivesse sobrevivido a um grave acidente, mas perdido toda a família, como se estivesse em um mundo estranho onde tenho acesso a poucas partes do que eu fui.
e isso me impede um pouco de ser a prolixa que sempre fui, de me mostrar sem medo, de escrever a dor e a alegria que sempre tive em ser eu mesma, em ser tão passional...
acho estranho ter que admitir que três pessoas que eu mesma inseri na minha vida de forma tão espontânea, que acreditei que eram tão sinceras comigo, tenham
sido tão filhas-da-puta deixado marcas tão profundas que me fizeram ser hoje diferente do que era há um ano: hoje sou muito mais desconfiada, reclusa, calada.
estou escrevendo aqui na tentativa de mais uma vez continuar em frente, carregar esse blog com mais amor e coragem, ser mais dedicada e ter mais inspiração: afinal, sempre fui tão insistente em situações tão adversas onde a minha possibilidade de sucesso era quase nula e nunca desisti mesmo quando não deu certo...
não posso fechar as portas assim tão facilmente, né?
=)